Breve história do Carnaval
São várias as versões sobre a origem da palavra
Carnaval. No dialeto milanês, Carnevale quer dizer "o
tempo em que se tira o uso da carne", já que o carnaval
é propriamente a noite anterior à Quarta-Feira de
Cinzas. No Brasil, o evento é a maior manifestação
de cultura popular que atrai milhares de turistas todo ano ao lado
do futebol. É um misto de folguedo, festa e espetáculo
teatral, que envolve arte e folclore. Na sua origem, surge basicamente
como uma festa de rua. Porém, na maioria das grandes capitais,
acaba concentrado em recintos fechados, como sambódromos
e clubes. Além disso, temos os carnavais fora de época,
onde bandas em cima de trios elétricos fazem a festa em plenas
ruas.
A origem do Carnaval vem de uma manifestação popular
anterior à era Cristã. No entanto, no início
da era Cristã, começaram a surgir os primeiros sinais
de censura aos festejos mundanos na medida em que a Igreja Católica
se solidificava. Querendo impor uma política de austeridade,
a igreja determinava que esses festejos só deveriam ser realizados
antes da Quaresma. Os italianos adotaram, então, a palavra
“Carnevale”, sugerindo que se poderia fazer Carnaval
- "ou o que passasse pelas suas cabeças" antes
da Quaresma, numa espécie de abuso da carne.
O Carnevale chegou a Portugal com o nome de “Entrudo”,
festa na qual as pessoas faziam espécies de bolinhas com
cera ou sabão e enchiam-nas com águas-de-cheiro ou
aromas de flores e perfumes e atiravam uns contra os outros. Porém,
dentro de pouco tempo, a violência adentrou a ocorrência
do Entrudo: alguns baderneiros começaram a fazer bolinhas
com líquidos fétidos e impróprios para o festejo.
Esse carnaval violento foi o que chegou primeiro ao Brasil.
Em 1853 o Entrudo passou a ser reprimido com ordens policiais aqui
no país devido à violência que convivia com
ele. Mesmo assim, as bolinhas e gamelas com águas-de-cheiro
continuavam existindo. Foi exatamente neste período que o
Carnaval começou a se originar de forma diferente, dividindo-se
em duas classes: o Carnaval de Salão e o Carnaval de Rua.
O Carnaval de Salão tinha a participação de
brancos e mulatos de classe média; o Carnaval de Rua contava
com negros e mulatos pobres.
Logo surgiram os carnavais e bailes mascarados dentro dos teatros
e salões nobres. Somente pessoas da alta sociedade podiam
participar de tais festas. Assim, a população de baixo
poder aquisitivo começou a festejar nas ruas, também
usando máscaras doadas pelos sub-delegados de Salvador. Surgiu
aí o primeiro carnaval de rua da história. Contudo,
o ano de 1884 é considerado o verdadeiro marco para o carnaval
da Bahia. Embora a festa já possuísse considerável
porte - principalmente nos salões - foi nesse ano que teve
início a organização dos festejos de ruas e
os desfiles de clubes, carros alegóricos e de vários
populares. A partir daí, ocorre a intensificação
da participação do povo e aclamação
do carnaval de rua, que até hoje caracteriza esta festa na
Bahia.
O trio elétrico aparece
A “dupla elétrica”, formada por Adolfo Antônio
Nascimento - o Dodô - e Osmar Álvares de Macêdo
- Osmar - resolveu restaurar um velho Ford 1929, guardado numa garagem.
No Carnaval do mesmo ano, saiu às ruas tocando seus "paus
elétricos" em cima do carro e com o som ampliado por
alto-falantes. A apresentação aconteceu às
cinco horas da tarde do domingo de Carnaval, arrastando uma multidão
pelas ruas do centro da cidade.
O nome "trio elétrico" surgiu em 1951, quando,
pela primeira vez, apresentou-se no Carnaval um conjunto de três
instrumentistas. A "dupla elétrica" convidou o
amigo e músico Temístocles Aragão para integrar
o trio e tocar nas ruas de Salvador numa pick-up Chrysler em cujas
laterais se liam em duas placas: "O trio elétrico".
Osmar tocava a famosa "guitarra baiana", de som agudo;
Dodô era responsável pelo "violão-pau-elétrico",
de som grave, e Aragão, pelo "triolim", como era
conhecido o violão tenor, de som médio. Estava formado
o trio musical.